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Calando de Vez as Feministas — Não Preciso Ser Feminista Para Ser A Favor de Justiça

Não, as feministas atuais não respondem por todas as mulheres. Não mesmo...

Por Cris Corrêa

31/03/2017

Uma pessoa que abraça o feminismo como verdade absoluta é incapaz de entender que não é preciso ser feminista para ser a favor de justiça, é como se só o feminismo fosse contra a violência doméstica por exemplo, quando na verdade, QUALQUER SER HUMANO com o mínimo de sanidade é completamente contra qualquer tipo de violência, principalmente se as vítimas forem mulheres ou crianças.

Quando alguém abraça um conjunto de idéias e dá a ele status de absoluto, está assumindo que se trata de um princípio último, ou seja, se tudo começa e termina com a narrativa feminista, então, o feminismo é uma verdade absoluta. Levando em conta que há inúmeros pontos questionáveis dentro da narrativa feminista, a conclusão é de que sem fé é impossível aceitar o feminismo como verdade absoluta, isso identifica que aqueles que aceitam o conceito feminista como absoluto e não conseguem ler a realidade sem ser pela narrativa do movimento, fazem dele sua religião.

Para entender melhor como o conceito de verdade absoluta atua na cabeça das feministas, basta observar como elas discutem os problemas da humanidade. Quando alguém livre do pensamento feminista fala sobre a violência doméstica por exemplo, aborda o quadro geral, não apenas a problemática de gênero, já as feministas não conseguem discutir violência doméstica sem ser do ponto de vista feminino, mesmo que estatisticamente homens e mulheres apareçam como vítima e agressor praticamente na mesma proporção. Isso ocorre porque na concepção de uma pessoa que acredita na narrativa feminista como princípio último, é impossível existir uma realidade diferente daquela defendida no discurso do movimento, ou seja, só há uma verdade e ela é pregada pelo movimento feminista, portanto, só o feminismo tem a solução para os problemas da humanidade. Sem ele, as mulheres do planeta não têm salvação: Mulher = vítima | Homem = opressor | Feminismo = salvação.

Há um conceito chamado ”viés da confirmação”, é o método de ver o mundo como um filtro. É um bloqueio mental ao qual todos estamos sujeitos, nosso cérebro busca o tempo todo informações que confirmem nossas crenças. No livro ”Você Não é Tão Esperto Quanto Pensa”, o autor chama atenção para algo primordial nesse sentido. Ele diz que ‘‘na ciência, você se aproxima mais da verdade ao procurar evidências contrárias. O mesmo método talvez devesse ser usado também para formar suas opiniões”. — No Brasil e em boa parte do ocidente, a ideologia feminista domina as universidades, consequentemente as pesquisas que ganham mídia e atingem as massas são esmagadoramente voltadas a reforçar essa ideologia. A população em geral é direcionada para consumir informações filtradas, o que acaba distanciando a atenção do cidadão da própria realidade, criando assim, crenças com perspectiva feminista sem fundamento verdadeiro. Porém, quando você lê a realidade desprovido da ideologia feminista, aquela que diz que tudo se resume a uma questão de gênero, você passa a levar em conta que existem outros fatores que propiciam um ambiente violento nos lares, como alcoolismo, infidelidade, problemas psíquicos, personalidade, desequilíbrio familiar, etc. Para discutir soluções efetivas é preciso trabalhar com a realidade, não com as suposições.

Enquanto as feministas insistem apenas em falar sobre gênero e potencializar as vítimas mulheres, por exemplo, há especialista que se preocupam em identificar os reais problemas. Em 2010 uma série de estudos denominados de “Mapa da Violência”, publicada pelo Instituto Sangari, com apoio do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça, revela em pesquisa o número de homicídios oriundos de violência doméstica cometidos aqui no país, foram no total 8.770 mortes no ano, sendo 1.836 mulheres e 6.934 homens assassinados. Um homem a cada 1 h 15 minutos morre vítima de violência doméstica no Brasil, enquanto morre uma mulher a cada 4 h 46 min, pelo mesmo motivo. Em relação ao total de homicídios causados por violência doméstica, estima-se que são 79,1% de homens e 20,9% de mulheres mortos. Um estudo realizado por Fernanda Bhona, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em Minas Gerais (2013), apontou que homens são os que mais sofrem violência doméstica praticada por suas parcerias. Com um total de 480 participantes, a pesquisa apontou que 77% de um grupo de 292 mulheres com relação conjugal afirmam ter xingado, humilhado ou intimidado o parceiro. A agressão física do companheiro – tapas, socos ou chutes – foi assumida por 24% das mulheres. E, segundo as próprias mulheres, apenas 20% dos parceiros cometeram o mesmo tipo de agressão contra elas. Há dez anos, outra pesquisa realizada em 16 capitais brasileiras apresentou resultados semelhantes a essa pesquisa. O nível de agressão psicológica entre os casais ficou em 78,3% e o de abuso físico, 21,5%, apresentando um cenário contrário ao que se atribui normalmente ao homem, o de agressor. — Ou seja, a violência doméstica não se trata de uma questão de gênero e, se o objetivo é trazer soluções, a discussão deve ser feita honestamente levando em conta as reais causas.

Em quase todos os países do mundo a maioria dos órgãos sérios, científicos e realmente comprometidos com a violência doméstica, trazem evidências de que mulheres agridem tanto quanto, ou mais do que, os homens. Vários estudos pelo mundo ratificam isso. A extensa e renomada bibliografia compilada por Martin S. Fiebert, do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual da Califórnia aponta em resumo o seguinte:

Esta bibliografia examina 286 investigações acadêmicas: 221 estudos empíricos e 65 resenhas e/ou análises, que demonstram que as mulheres são tão fisicamente agressivas ou mais agressivas do que os homens em suas relações com os seus cônjuges ou parceiros do sexo masculino. A dimensão da amostra global nos estudos criticamente analisados ultrapassa os 371.600.

Erin Pizzey, é uma importante voz no assunto, ela teve que se exilar nos EUA devido seus estudos que apontaram para essa realidade que difere da narrativa feminista. A humanista foi ameaçada de morte, sua família recebeu bombas pelo correio, seu cachorro foi morto pelo movimento feminista na Inglaterra, tudo porque seus estudos afirmam que no contexto da violência doméstica tanto homens como mulheres são igualmente propensos a violência e a solução para a diminuição desse tipo de conflito está em uma leitura honesta da realidade dos lares, onde homens são agressores e agredidos igualmente como mulheres. Essa mesma afirmação também foi feita aqui no Brasil pela psicologa Simone Alvim, mestranda, autora do livro “Homens, Mulheres e Violência”, porém, também ignorada por coletivos feministas.

O fato das feministas controlarem a discussão na mídia e usarem a violência doméstica como trunfo político, não muda o fato de que para o movimento feminista potencializar a mulher como vítima não está relacionado a resolver problemas, mas, a usá-la como força de militância. Na prática, não existe uma luta feminista por justiça e muito menos por igualdade, o discurso que destaca a mulher como única vítima, serve apenas para exaltar as bandeiras ideológicas da política das esquerdas, que estão em contraste com a própria realidade. Bandeiras essas que não correspondem com o posicionamento de todas as mulheres, pois, nem todas as mulheres defendem aborto como direito, nem entendem ”liberação sexual” como carta de alforria, ou mesmo acreditam que existe um complô dos machos contra elas. No fim, ao falar sobre violência doméstica, o movimento busca mesmo é legitimar suas causas, não encontrar soluções para as vítimas, que existem sim, mulheres, homens e também crianças que geralmente sofrem com violência sexual dentro de seus lares (sobre como as feministas fazem vistas grossas para crimes de pedofilia cometidos por mulheres, eu recomendo o depoimento de Michelle Elliott, que fez um estudo sério sobre isso e teve seu livro e pesquisa atacados duramente por coletivos feministas). — Portanto, não preciso ser feminista para fingir que sou a favor de justiça, basta eu ser honesta e realista para defender verdadeiramente o que é correto e justo para todos, afinal, é isso que significa lutar por igualdade.|


*|É certo que não é preciso ser cristã para ser antifeminista, basta ler a realidade desprovida da narrativa do movimento e se engajar politicamente nisso, mas, também é certo que o fato da mulher ser cristã não significa que ela não esteja bem consciente do que são as falácias e incoerências do feminismo, pois, sua fé em Cristo não a impede em nada de se aprofundar em questões que lhes são apresentadas como verdades alternativas, pelo contrário, justamente por nutrir a fé firmada Nele, é que a mulher cristã se vê ainda mais motivada a encarar de frente a lorota feminista.

No imaginário comum impera o preconceito em relação aos cristãos, principalmente entre os jovens não cristãos, há uma falsa idéia de que os cristãos não estudam, ou não pensam direito sobre nada que não seja a própria fé, porém, uma das características do ”homem espiritual” é julgar bem todas as coisas (I Corintios 2:15), tanto as questões da própria fé, como as questões que os cercam no cotidiano. Os cristãos de Beréia (Atos 17:11) eram conhecidos por examinarem a fundo tudo o que lhes era ensinado, o Apostolo Paulo aconselha os tessalonicenses a examinar também as profecias (I Tessalonicenses 5:1), colocando-as a prova. A Reforma Protestante reafirmou o caráter investigador do cristão, e isso desenvolve uma motivação quase que instintiva de investigar a fundo tudo o que lhe é apresentado, é por isso que o cristão não encontra barreiras no contraditório, e se dedica a investigar a fundo tudo o que o cerca, o conceito de ”viés da confirmação” não faz parte do pensamento cristão. Ler a realidade sem filtros é essencial para o exercício de fé e aprendizado daqueles que compreendem que Deus se revela também na Natureza e, acreditam que para encontrar soluções é preciso entender os problemas.

Não devemos ter como lema “Seja boa, doce menina, e deixe a inteligencia para quem a possui”, mas sim, “Seja boa, doce menina, e não se esqueça de ser o mais inteligente que puder”. Deus não detesta menos os intelectualmente preguiçosos do que qualquer outro tipo de preguiçoso. Se você está pensando em se tornar cristão, eu lhe aviso que você esta embarcando em algo que vai ocupar toda a sua pessoa, inclusive seu cérebro. – C.S. Lewis: Cristianismo Puro e Simples

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Cris Corrêa