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E SE A OLIMPÍADA FOSSE ESQUERDISTA?

Ao ver o jogaço de tênis neste domingo entre Djokovic e Del Potro, um pensamento veio à minha cabeça: e se a Olimpíada fosse de esquerda? Explico, caso o leitor pense que surtei e estou obcecado demais. O jogo foi incrível, e confesso que torci para o sérvio derrotado pelo hermano, que jogou uma barbaridade. Ao término, ambos se abraçaram de forma emocionante, mas a vitória era de um só. O mérito individual fez toda a diferença do mundo.

E não é exatamente isso que pregam os liberais? Que o mérito individual possa definir os diferentes resultados nos jogos da vida? Mesmo reconhecendo que nunca é só o mérito, que entram outros fatores na equação, como a sorte, o talento natural (que nunca floresce de verdade sem o esforço e muito treinamento)? E o que diz a esquerda coletivista igualitária? Que o mérito não existe, que é um mito, que o resultado deve ser mais equilibrado não importa como se chegou a ele.

A Olimpíada desafia tudo aquilo que a esquerda acredita. Logo depois do jogo de tênis, fui acompanhar o segundo tempo da estreia de nossa seleção de futebol. Big mistake! Que jogo medíocre contra o Iraque! A torcida vaiou com razão. Os comentaristas detonaram nossos craques. Os “memes” tomaram conta das redes sociais: eles andam de salto alto, enquanto as moças jogam com chuteiras; eles deveriam jogar mais como as mulheres; e por aí vai.

Ou seja, o público entende que faltou garra, determinação, humildade, esforço, e por isso o resultado foi ruim. Claro, às vezes pode acontecer de o atleta colocar tudo de si e ainda assim perder. Quando é esse o caso, há o reconhecimento de que ele fez o possível, de que apesar dos esforços, não deu para ele. Estimamos quem age assim, e depois demonstra “fair play”, admitindo que o adversário foi melhor. É esse o espírito olímpico, diga-se.

Melhor. A palavra já desperta calafrios nos igualitários adeptos do relativismo. Quem disse que alguém é melhor ou pior? Quem disse que existe isso? Fernandinho Beira-Mar e Madre Teresa de Calcutá: “apenas diferentes”. O empreendedor que criou milhares de empregos e muita riqueza contra o vagabundo que vive de mamar em tetas estatais com seus privilégios: “apenas diferentes”. E precisamos equilibrar melhor o resultado financeiro 

Leandro Ruschel tocou na ferida:

Eu não entendo o gosto da esquerda globalista pela Olimpíada. Tirando a boa chance de fazer uma bela propaganda, como de fato foi produzida na abertura dos jogos, nada poderia ficar mais longe da ideologia socialista do que as competições olímpicas: atletas competindo com base do mérito para ganhar ouro! Ou seja, os melhores e mais esforçados levam todos os louros, independentemente da sua riqueza, cor de pele ou origem, sem cotas ou vitimismos. Fascistas!

De fato, a vitimização não tem espaço nos jogos. O mimimi é logo rechaçado como coisa de mau perdedor. Queremos ver mérito, queremos ver esforço, queremos ver resultados. E tudo isso com base no espírito esportivo, no reconhecimento da superioridade dos adversários, quando visível. Quem não sabe perder, não sabe vencer.

Reparem que a analogia nem é perfeita, pois no esporte, um tem que perder para o outro vencer. Já no jogo da vida não é bem assim. A economia não é um jogo de soma zero, em que o rico fica rico tirando do pobre. Nada mais falso! Basta entrar num supermercado para compreender que a palavra-chave da economia é cooperação. Trata-se de um sistema de ganhos mútuos entre as partes, com trocas voluntárias que beneficiam ambos.

Ainda assim, claro que alguns vão de destacar mais. Merecido, quando em ambiente de livre mercado. Fruto do mérito, da ousadia, da determinação, do esforço, da sorte, do talento natural. Que fiquem com suas medalhas de ouro! Ou alguém acha mesmo justo meter a mão grande do estado no bolso desses vencedores para equalizar melhor os resultados? Ou alguém pensa que seria mais justo todos com medalha de bronze para evitar a inveja?

Então imaginemos uma disputa olímpica dessa forma: é dada a largada, e todos saem em disparada pela piscina. Michael Phelps segue à frente, rumo a sua vigésima medalha de ouro olímpica. Mas calma! Isso não é nada justo! O governo deve amarrar bolas de chumbo aos seus pés. Ele vai sentindo o peso do estado, até que outros competidores possam finalmente lhe alcançar, e depois até lhe superar. Como seria lindo se todos eles chegassem exatamente no mesmo tempo, não é mesmo?

Creio que, se assim fosse, a Olimpíada jamais teria audiência novamente. Quem perderia seu precioso tempo vendo uma “competição” dessas, em que o importante é chegar a um resultado mais igualitário, mais “justo”? Tenho certeza de que nem mesmo um socialista aguentaria ver uma “disputa” dessas…

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Sobre o Autor

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Colaborador do jornal O GLOBO. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.