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Educando para a Imoralidade

Um colega me questionou sobre o papel dos governos nos estímulos aos valores cívicos, o patriotismo etc. que foram retirados do meio estudantil e que, portanto, nos teria legado este caos que vemos hoje nas escolas, com violência galopante. Vejo relação aí sim, mas mais por fatores menos “visíveis”, como uma noção de educação mais comportamental. Esta educação que falo não é a mera exposição de valores, mas sim um conjunto de regras com prêmios e sanções de acordo com o comportamento dos alunos. Para qualquer pessoa que passou anos trabalhando em sala de aula, isto parece algo óbvio.

Ontem mesmo uma adolescente de 14 anos morreu após se envolver em uma briga na cidade de Cachoeirinha, RS.[1] A escola em questão, Luiz de Camões não se situa em nenhuma área perigosa, quer dizer... Em nenhuma área mais perigosa que o Rio Grande do Sul como um todo esteja jogado, graças à incompetência petista. Enfim, situações como esta eram simplesmente impensáveis décadas atrás e o que mudou? Atravessemos o Oceano Atlântico para termos alguma ideia...

Alexandre Henriques, pesquisador português apresentou um estudo sobre as infrações disciplinares em seu país no período 2015-2016 que chegam a 11.000 categorizadas em 47 tipos. E reconhece ser a mera ponta do iceberg ou, como dizem por lá, icebergue... Termina reconhecendo, o que é obvio para nós: que a ideologia é um entrave à resolução deste problema e que cá entre nós não é um problema qualquer. Em suas palavras:

“Muito tem de ser feito, muito terá que mudar. Trabalhemos em conjunto, criando pontes de diálogo entre os diferentes intervenientes sempre cientes que, se não o fizermos, esta e as futuras gerações pagarão bem caro a nossa incompetência, cegueira ideológica e falta de sentido cívico para com aqueles que são realmente importantes para todos nós – os nossos filhos, os nossos alunos.”[2]

Se vasculharmos as escolas do Brasil (não somente as públicas) veremos que se trata de uma situação normal: falta de respeito para com os profissionais, agressividade latente, violência escolar e tudo incentivado de certa forma, na medida que a Progressão Continuada, mais conhecida como “aprovação automática” que é a prática de não “rodar” o aluno de ano. De acordo com seus defensores a repetência escolar prejudicaria o desenvolvimento pessoal do aluno impelindo-o ao abandono dos estudos. Mas ora! Vamos “resolver” um problema criando outro? É desse jeito que nossos teóricos da educação pensam em fazer a sua tão sonhada “revolução no ensino”?

V.D.

[1] PIRES. Estévan. “Adolescente morre após brigar na escola em Cachoeirinha, diz BM” in: G1. Acessado em 09 de março de 2017.

[2] HENRIQUES, Alexandre. “Disciplina: Yes We Can!” in: Observador. Acessado em 09 de março de 2017.

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Vista Direita

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