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Hipocrisia. Esta talvez seja a palavra que melhor define o pensamento de esquerda. Ela permeia todo o espectro de pessoas ligadas a este, desde os pensadores que deram início a esse câncer histórico, passando pelos líderes e poderosos e incluindo uma quantidade incontável de idiotas úteis.

Jean Jacques Rousseau, filósofo francês que deu início ao pensamento de esquerda com sua distorcida noção de que o homem nasce bom e é corrompido pela sociedade, foi o primeiro hipócrita da turma. Ao mesmo tempo em que escreveu um livro sobre como educar as crianças, abandonou todos os seus cinco filhos em um orfanato, sem piedade. Um primor de bondade e compaixão.

Karl Marx, o mais influente pensador da esquerda, foi outro hipócrita de carteirinha. Nascido em família de classe média, filho de um advogado bem sucedido, Marx nunca chegou perto da classe trabalhadora sobre a qual escreveu. A luta de classes de que ele tanto fala nunca passou de elucubrações de sua mente, e a pena que escreveu O Capital foi segura por mãos virgens de trabalho pesado.

Com Vladimir Lenin, a hipocrisia ganhou oficialidade. Foi ele quem disse: “Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é.” A máxima de Lenin tem sido um norte na conduta de todos os líderes de esquerda desde então. Hillary Clinton, atual candidata democrata à presidência dos EUA, discursa inflamadamente contra os ricos e poderosos, contra as fortunas de Wall Street, ao mesmo tempo em que recebe doações milionárias de campanha dessas mesmas pessoas. Lula, ex-presidente e quase-presidiário, se dizia trabalhador e do povo, enquanto acumulava imóveis, andava em jatos particulares e se deliciava com jantares que custavam alguns anos de salário mínimo.

 

Como não poderia deixar de mencionar os idiotas úteis, usarei o exemplo mais recente e diretamente ligado ao momento esportivo que vivemos hoje no Brasil. A nadadora Joanna Maranhão, que por muitas vezes deixou clara em suas declarações públicas a sua admiração pela quadrilha chamada Partido dos Trabalhadores, resolveu ganhar o primeiro lugar em alguma coisa fora da piscina (mesmo porque dentro dela lhe falta a competência) e disparou a mais hipócrita de todas as suas declarações. Disse ela, depois de ser eliminada da final dos 200m borboleta, que o Brasil é um país homofóbico, machista, racista e xenófobo. Pouco tempo depois, a excelente página Caneta Desesquerdizadora, presente no Facebook e no Twitter, compilou uma série de tweets da nadadora brasileira, desnudando sua hipocrisia, os quais eu cito no próximo parágrafo.

A Joanna que acusou o Brasil de ser homofóbico é a mesma que disse “Fred Mercury não era gay, só curtia emprestar a bunda!” e “Ariadna, pega (sic) os 2mil e paga seu funeral... porque pra você se passar por mulher só morrendo e nascendo de novo!” (referindo-se a Ariadna Arantes, transexual que participou do reality show Big Brother Brasil). A Joanna que acusou o Brasil de ser machista é a mesma que disse “Sinceramente, por que tem tanta mulher vagabunda nesse mundo?” e “Depois de Bruna Surfistinha, virou moda puta ficar rica, né?”. E a Joanna que acusou o Brasil de ser xenófobo é a mesma que disse “E vou falar uma coisa, me irrito com esse povo do sul e do sudeste que nunca se envolveu com política e é contra o PT” e “[sou] Boa o suficiente pra nunca ter perdido de nenhuma sudestina ou sulista nas minhas provas.” Medalha de ouro para ela no quesito “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Joanna Maranhão poderia ser apenas uma atleta que não conseguiu chegar à final. Poderia assumir a derrota com grandeza, como fizeram Novak Djokovic e Serena Williams, favoritos ao ouro e lendas em seu esporte. Poderia tirar lições, rever conceitos, repensar a carreira, arrumar força para treinar mais forte ou mesmo remoer-se em ódio por não ter conseguido seus objetivos. Mas, como todo vitimista de esquerda, ela resolveu jogar a culpa nas circunstâncias, nos fatores externos, na sociedade, no Brasil, no lugar periférico em que a Terra se encontra na Via Láctea etc. Como dizia o grande filósofo cartoon-pop, Homer Simpson, “a culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”.

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Sobre o Autor

Flavio Quintela

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.