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Massacre no Japão: 19 mortos e 25 feridos. Para correspondente da Globo não foi tão ruim assim.

Por Bene Barbosa

No Japão, um desequilibrado invadiu, durante à noite, um centro para deficientes armado com facas. O ex-funcionário do local, percorreu quarto após quarto esfaqueando sistematicamente, enquanto dormiam, 44 pacientes. O saldo foi de 19 mortos e 25 feridos, sendo que 20 se encontram em estado gravíssimo.

O que me espanta é ver comentários como o do reportes Márcio Gomes, correspondente da Globo no Japão, que afirmou com cara de alívio: “ainda bem que ele não tinha uma pistola ou um fuzil”. Oi? Como é? O assassino mata 19 deficientes deixa outros 20 à beira da morte no pior ataque desse tipo desde 1945, mas poderia ser pior se não fossem às restrições às armas no Japão? Vá se lascar! Desonestidade jornalística te limites e a paciência dos telespectadores também! Por sorte ainda temos jornalistas como o Alexandre Garcia que imediatamente rebateu: basta uma faca nas mãos e essa loucura e esse ódio no cérebro.

Duvido que o repórter tenha a mínima ideia de quando e o porquê do desarmamento no Japão e a os motivos da eterna predileção pelas armas brancas pelo povo japonês. Desconhece, aquele que deveria informar, que o homem que esfaqueou os indefesos deficientes desobedeceu a lei japonesa que PROÍBE o porte de qualquer lâmina com mais de 6 centímetros! Crime que pode resultar em dois anos de prisão. A lei de controle de armas do Japão, que inclui espadas, facas e outros tipos de lâminas é bastante dura e rígida ao ponto de, em 2015, ter sido responsável pela prisão do diretor da Divisão de Gerenciamento de Crises da cidade de Wakayama depois dele ser flagrado pela polícia com uma faca em sua mochila.  Tais restrições vieram após uma série de ataques nos anos 90 e início dos anos 2000. Óbvio, me parece, que os malucos e psicopatas de lá também não se dão ao desfrute de respeitar a lei... 

Não é a primeira vez que isso acontece, não será a última. Malucos, terroristas e psicopatas sempre encontram uma forma, um instrumento, para o cometimento de barbáries como essa. Em Nice foram 84 mortos com o uso de um caminhão, em 11 de setembro quase 3 mil mortos com o uso de aviões, na China 34 mortos e 140 feridos à faca em uma estação de trem, em Boston, EUA, 3 mortos e 264 feridos com o uso de panelas de pressão e por ai vai.

As recentes tragédias nos mostram que aqueles que decidem matar possuem ao seu alcance a mais diversa gama de instrumentos para isso. Uma simples caneta pode se transformar em um objeto letal, assim como um martelo, uma chave de fenda ou um carro. Por outro lado, aos que querem se defender só há um instrumento eficaz para isso: a arma de fogo. O resto é historinha para boi dormir.

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Sobre o Autor

Movimento Viva Brasil

Bene Barbosa é bacharel em direito, especialista em Segurança Pública e Presidente da ONG Movimento Viva Brasil.