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Ministério da Saúde adverte: o Ministério da Saúde serve para enganar o contribuinte

A situação de nosso Sistema Único de Saúde (SUS) é tão, mas tão surreal que este post também merece entrar na categoria de 'humor'.

Por Anselmo Heidrich

Realmente, já que o Ministério da Saúde se preocupa tanto com minha saúde e esta sofre influência do meio, inclusive do meio social que é premido pela dificuldade financeira e estagnação econômica por que ele não começa simplesmente me isentando de contribuir para essas fuleragens?

Vejamos quais seriam as inovações disponibilizadas pelo SUS e pagas, obviamente, com teu suado dinheirinho:

  • Arteterapia: uso da arte como parte do processo terapêutico. Se entendeu bem vão te colocar para brincar de massinha quando estiver com aquela insuportável dor causada por cinco hérnias não tratadas;
  • Ayurveda: busca a cura para os males do corpo e da mente na natureza. Ou seja, ‘bora lá pessoal abraçar aquele tronco velho cheio de cupim ali no mato não carpido da prefeitura;
  • Biodança: é uma prática de abordagem sistêmica inspirada nas origens mais primitivas da dança, que busca restabelecer as conexões do indivíduo consigo, com o outro e com o meio ambiente. “Abordagem sistêmica” é um jeito chique de dizer como não identificamos a causa vamos tratar um troço nada a ver e rezar pra ti te sentir bem;
  • Dança circular: é uma prática de dança em roda, tradicional e contemporânea. Vai que se for um pequeno mal estar tu te sente tão cansado e tonto com a “dança circular” que esquece o que estava fazendo naquele posto de saúde;
  • Ioga: é uma prática que combina posturas físicas, técnicas de respiração, meditação e relaxamento. Aí sim, mas ‘pera! Isto aí é melhor fazer em casa onde, pelo menos o chão não traz tanto risco de contrair uma infecção de ambiente cheio de gente doente;
  • Meditação: prática de concentração mental com o objetivo de harmonizar o estado de saúde. ­Tipo assim... Repita mil vezes que está tudo bem que vai que cola;
  • Musicoterapia: uso dos elementos da música - som, ritmo, melodia e harmonia - com propósito terapêutico. “Música” aqui leia-se aquelas insuportáveis e monótonas sequencias minimalistas com sintetizadores e barulhinhos de água ou pios que te fazem pegar no sono;
  • Naturopatia: uso de recursos naturais para recuperação da saúde. Vir com camomila é fácil, mas eu só vou acreditar o dia que esses caras tomarem um chá de carqueja com losna sem açúcar mascavo nem nada;
  • Osteopatia: terapia manual para problemas articulares e de tecidos. Desculpe-me, mas isso não é o que chamávamos de massagem?
  • Quiropraxia: prática de diagnóstico e terapia manipulativa contra problemas do sistema neuro-músculo-esquelético. Isto é massagem, eu sei por que já fiz. Foi a única que vi com utilidade, mas é aquela história por que tenho que pagar para alguém aliviar uma dor muscular que ele próprio deveria prevenir?
  • Reflexoterapia: é uma prática que utiliza estímulos em uma parte do corpo afastada da lesão. Isso é aprovado cientificamente ou faz parte de algum wishful thinking de quem deseja acreditar que faz bem?
  • Reiki: prática de imposição das mãos por meio de toque ou aproximação para estimular mecanismos naturais de recuperação da saúde. Tá quase, quase lá para termos cirurgia pelo espírito aprovada pelo SUS;
  • Shantala: massagem usada para aliviar dores e acalmar os bebês e crianças. Tranquilo, mas isso qualquer um pode fazer em casa;
  • Terapia comunitária integrativa: é desenvolvida em formato de roda, visando trabalhar a horizontalidade e a circularidade. Aí zoou, né? Quer dizer que se eu sentar em volta de uma mesa quadrada, o que eu ingerir no almoço também vai descer quadrado?

Então... Cansado desses desmandos governamentais? Nós também, como pode, perfeitamente, ver AQUI.

O problema com qualquer sistema de saúde pública é que as demandas tendem ao infinito. Essa tese de Hayek se torna mais crível ainda quando pensamos que devido ao crescimento da expectativa de vida, mais e mais tratamentos de saúde se tornam necessários, justamente para manter esse período de vida mais longevo com boa qualidade. E por isso mesmo não é justo que todos os recursos tributados vão para um fundo comum para serem utilizados segundo critérios nem todos estão de acordos, mas que foram assim definidos por uma equipe de tecnocratas (burocratas que se arrogam conhecedores de determinadas técnicas e por isso te impõem qualquer decisão sem consulta). Que se elimine este sistema de saúde e que seus recursos sejam utilizados de maneira privada, isto é, sem tributação e com planos privados de saúde é que é justo, fim de papo.

Ou como disse o humorista Penn Jillette, em uma de suas mais sérias considerações, “minha opção pelo liberalismo está fundada no simples fato de que eu não sei o que é melhor para os outros”.

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Sobre o Autor

Anselmo Heidrich

Mestre em Geografia Humana pela USP. Professor de Geografia há mais de 25 anos, pesquisador em geografia e geopolítica. Ex-Membro do Movimento Brasil Livre em Santa Catarina e do Movimento Resistência Liberal Brasil. Co-autor do livro Não Culpe o Capitalismo - http://naoculpeocapitalismo.blogspot.com.br/.