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O QUE É MAIS FÁCIL: CONSEGUIR UM FUZIL AR-15 NA FLÓRIDA OU NO RIO?

A esquerda não percebe sua própria incoerência. Ou, se percebe, tem mesmo uma agenda ideológica e não liga para fatos, lógica e coerência, o que é mais provável. Vejam só esses dois casos que mais parecem de esquizofrenia. Ancelmo Gois, conhecido esquerdista que foi até treinado pela KGB, com certeza faz coro aos “desarmamentistas”. Não obstante, postou em sua coluna hoje:

O que é mais fácil? Comprar uma AR-15, como fez o insano Omar Mateen, nos EUA, onde o comércio é legal, ou no Rio, onde esse fuzil é mais comum do que chuchu na serra nas comunidades sob o domínio do tráfico? Cartas para a Redação.

Na própria pergunta está implícita a resposta: é mais fácil ainda no Rio, ao menos se você é um bandido, alguém com ficha corrida na polícia. O outro caso é de Zuenir Ventura, também conhecido esquerdista, que escreve em sua coluna:

Para o lobby da chamada “bancada da bala” na nossa Câmara dos Deputados, alimentada pela bilionária indústria de armas e munições, vale a advertência do presidente Barack Obama: “Isso mostra como é fácil que uma pessoa consiga uma arma e dispare dentro de uma escola, um restaurante, cinema ou boate”. Adeptos do bangue-bangue alegam que, se algum cidadão estivesse armado ali, teria evitado a chacina, matando antes o louco assassino. O certo, porém, é que se o atirador não dispusesse de tanta facilidade para comprar legalmente uma pistola e um fuzil AR-15, não teria causado tantas mortes (o AR-15 é a arma preferida dos traficantes cariocas e a que foi usada em 14 massacres ocorridos em território americano, sete dos quais no ano passado).

Cáspita! O próprio Zuenir, logo depois de falar que a proibição dificultaria o acesso do terrorista ao fuzil, reconhece que a arma é a preferida dos traficantes cariocas, ou seja, é a coisa mais fácil de se conseguir ilegalmente no Brasil. Será que Zuenir não percebe mesmo sua incoerência? O Brasil tem mais restrição à venda de armas, e mais armas, pesadas ou não, nas mãos de bandidos. Mas a solução nos Estados Unidos é… proibir a venda de armas!

A tese de uma agenda ideológica ganha força quando vemos o restante do artigo, um ataque a Trump e uma incapacidade total de usar o termo “radicalismo islâmico”, como se as causas do atentado fossem várias, menos essa. Isso sem falar que há suspeitas de que o grande “homofóbico” era… gay! Mas deixemos isso de lado. Vejam o que diz Zuenir:

Talvez as investigações não consigam descobrir com absoluta exatidão a motivação do atirador — se fanatismo homofóbico, terrorismo doméstico, loucura solitária ou, o que é mais provável, um pouco de cada uma dessas patologias. O que se sabe com certeza é que a tragédia será usada na campanha eleitoral, com grande possibilidade de favorecer a candidatura de Donald Trump, que já está explorando o medo e a xenofobia. E não, claro, por solidariedade aos gays, aos quais têm tanta aversão quanto aos muçulmanos, mas para responsabilizar os democratas e sua candidata, Hillary Clinton, acusando-os de complacência com o “inimigo”. Suas primeiras declarações foram para defender restrições à imigração e não ao uso indiscriminado de armas.

Ainda bem que o Brasil não tem um arauto da intolerância como Trump (Será que não?).

O “inimigo” está entre aspas, pois, claro, o radicalismo islâmico não é o inimigo pela ótica esquerdista de Zuenir. O inimigo é o fuzil. O maldito AR-15, que vários americanos possuem como hobby e que atira somente em alvos inanimados, como a própria arma. Se ao menos o governo americano tornasse sua compra ilegal, como acontece no Rio… ops!

Respondendo a pergunta do título: depende. Se você for um bandido, um traficante, um criminoso ou mesmo um terrorista, sem dúvida é mais fácil conseguir o fuzil no Rio. Mas se você é um cidadão de bem, que quer apenas uma arma para treinar tiros ao alvo, aí é infinitamente mais fácil na Flórida. No Rio é impossível.

lancamento

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Sobre o Autor

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Colaborador do jornal O GLOBO. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.