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O valor de Rachel Sheherazade e a covardia das feminazis

Por Anselmo Heidrich

Rachel Sheherazade recebeu o Troféu Imprensa de Sílvio Santos, no último domingo, dia 9 ao que teria sido repreendida quando este disse tê-la contratada por sua beleza, para passar as notícias e não para dar opinião. Claro que visto desta forma, o assédio moral parece flagrante, mas as peças não se encaixam. Vejamos:

  1. Em primeiro lugar, para ter mais efetividade na sua ordem, a chamada teria que ser em privado, pois ali em público não angariaria muito sucesso ao criar uma oposição mais cristalizada pela apresentadora – se ela ceder futuramente, seu maior capital que é a posição moral ficaria seriamente abalada.
  2. Em segundo, que se critique Sílvio Santos pelo que quiserem, mas uma coisa ele não é: burro. Se Rachel lhe traz uma enorme audiência (e traz), ele não a dispensaria, ainda mais desta forma alguém que, com absoluta certeza, será assediada por vários canais de comunicação para ser contratada.
  3. Outro dado importante que não devemos esquecer, até a entrega do prêmio em questão é um show a parte. E nele, os passos e falas não são gratuitos. Isto quer dizer que Sílvio utilizou Rachel para sinalizar para alguém (quem é a questão), mas não pretende efetivar sua suposta ameaça (porque nem sequer houve), mas sim mera reclamação, totalmente fake a meu ver.

Lembram-se no final do mês passado, quando o Estadão publicou uma matéria chamada “A ‘máquina’ barulhenta da direita na internet”? Pois bem, quem figurava entre os primeiros colocados com mais seguidores dentre os apresentadores? Se pensou em Danilo Gentili e Rachel Sheherazade, ambos com 14,9 milhões e 2,4 milhões de seguidores, respectivamente, acertou em cheio. E não por acaso, os dois foram citados por Sílvio Santos quando entregou o prêmio à Sheherazade. Alguém ainda crê na bobagem de que o proprietário do SBT esteja pensando em demitir os dois bem sucedidos polêmicos funcionários da rede de TV que são bem sucedidos justamente graças à polêmica por um preciosismo político? Seria muita ingenuidade e mais ingênuo ainda pensar que o esperto empresário não veja nos dois, capital a se defender e incentivar a serem o que são, polêmicos.

Veja os gráficos abaixo:

O que aconteceu foi simples, alguém leu a matéria e se apavorou com os dados revelados, milhões de seguidores. Obviamente não deve ter gostado e reclamou com Sílvio Santos. Este empresário matuto há décadas nos círculos do poder não bateu de frente, mas fez o que chamamos de “média”. Como eu disse de burro, ele não tem absolutamente nada.

As feministas, por sua vez, se dividiram entre as que viram aí prova de “machismo” e as que gozaram o fato da apresentadora ter sua atenção chamada (sem falar nos operadores do direito que viram “assédio moral”). Mas, às que não apoiaram Sheherazade e, inclusive, terem-na criticado e torcido por sua demissão, nada me surpreende. Afinal, as novas feministas não estão preocupadas com a mulher enquanto indivíduo, mas apenas em utilizá-las como massa de manobra para suas causas, muitas das quais totalmente alheias desde que haja uma clara dicotomia que substitua a luta de classes, tal como a luta das mulheres (contra os homens), a luta das exploradas (contra os exploradores) e assim vai. Choveram declarações como estas em blogs feministas:

Ou seriam salivas com veneno?

A luta verdadeira é uma luta pela liberdade

O foco da luta feminista tem que retroceder a sua origem pura. Por mais que as mulheres avancem (e eu desejo que elas sempre tenham mais espaço e conquistem o que têm competência para conquistar), eu não gosto de movimentos que levam um grupo a pensar de uma mesma forma (e isto se inclui até para o liberalismo). Aliás, o que eu gosto na ideia de liberdade é de estarmos num mesmo ambiente com gente que pensa diferente desde que, claro, não haja entre nós aqueles que sejam adeptos de ideologias que incentivem autoritarismos (comunismo, nazismo, jihadismo etc.). Agora, as primeiras feministas queriam (e mereciam) direitos civis como os homens tinham (voto, trabalho fora de casa, estudo etc.). Várias mulheres sofreram muito por causa disto, com a proibição de trabalhar fora e vidas profissionais atoradas no nascedouro por suas próprias mães, que endossavam a visão de suas épocas e sociedades. Note aí que o “machismo” em questão partia, muitas vezes, de uma própria mulher que aceitavam (porque acreditavam) no papel secundário da mulher. E é esta questão que confunde muito as pessoas... Não se trata de uma luta de mulheres contra homens (assim como não seria noutro caso de negros contra brancos, homossexuais contra heterossexuais etc.), mas de quem é oprimido, quem tem sua liberdade tolhida contra quem a lhe tira. Este é o ponto. Por isso, quando defendemos a mulher, não é o sexo, não é o gênero, não é um coletivo, mas pessoas que por qualquer razão tem sua liberdade inviabilizada. Daí me pergunto, não seria certo defender a Liberdade? Um movimento que apontasse toda e qualquer forma de opressão e supressão de direitos civis, da liberdade de ir e vir e deixasse esta sanha coletivista para os coletivistas? Pergunto porque quando defendemos esta liberdade de produzir, de competir não estamos vendo, aliás não estamos nem aí se o indivíduo tem determinado sexo, cor, orientação sexual ou religiosa, mas simplesmente se ele, ela, seja o que for, é competente. Só isto que nos importa. Sei que para muitas mulheres isto parece uma boa desculpa de um velho machista que não quer fazer nada, mas não é o que vejo... O que vi como professor há 25 anos é que no final do Ensino Médio predominam as mulheres, em cursos superiores outrora dominados por homens, elas conquistam cada vez mais espaços. Vejo-as em cargos de policiamento e como lutadoras em esportes com os quais eu não tenho nenhuma afinidade (porque não tenho um milésimo da competência destas). Sinceramente, o que as fez chegar onde chegaram? Um movimento coletivista ou sua liberdade para mostrar o que são? O que são? Competentes.

Ajuste o foco na defesa de quem precisa

Acho que já disse tudo, mas não, não disse... Há vários lugares do mundo onde elas não têm este espaço, não têm como se manifestar e são brutalmente violentadas, agredidas e tratadas como animais. Aliás, até animais em boa parte do mundo recebem melhor tratamento. Acho que vocês já sabem de quem falo... Lugares onde são estupradas coletivamente e punidas com chibatadas porque saíram desacompanhadas de um parente do sexo masculino, países em que centenas de mulheres – eu disse centenas – são desfiguradas com ácido anualmente por serem acusadas de namorar e “desonrar” suas famílias, onde suas vulvas são costuradas e cada laço é desatado com o passar dos anos até que estejam prontas para casar, onde meninas são agarradas por mães, tias e avós para terem seus hímens cortados com lâminas de barbear, onde são apedrejadas (na cabeça que fica de fora do buraco onde são enterradas) após serem acusadas de infidelidade e terem que provar o contrário (lá não é o acusador que tem que provar) e uma lista maior ainda de insanidades. ISTO é que me tira do sério e se quiserem que eu marche com mulheres, gays, aborígines, eu marcho, mas para acabar com esta opressão. Isto é que me dá nojo e contra isto não vejo nenhum movimento. Triste.

É por isso que a coragem de Rachel Sheherazade e o que ela representa diz muito a nós, muito mais do que se submetesse aos ditames de um movimento feminista. Ela sozinha consegue ir além de toda pregação ideológica, pois sua luta se concretiza com o que nos inspira.

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Sobre o Autor

Anselmo Heidrich

Mestre em Geografia Humana pela USP. Professor de Geografia há mais de 25 anos, pesquisador em geografia e geopolítica. Ex-Membro do Movimento Brasil Livre em Santa Catarina e do Movimento Resistência Liberal Brasil. Co-autor do livro Não Culpe o Capitalismo - http://naoculpeocapitalismo.blogspot.com.br/.