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O Sistema Educacional Precisa Ser Livre

Que a educação pública tem uma péssima estrutura não é novidade, e a falta de liberdade nesse setor agrava o problema. Altos impostos somados a burocracia impedem que a mão invisível do mercado atue, reduzindo drasticamente a concorrência e as inovações na área. Quem sofre com estupidez estatal, obviamente, é o contribuinte, que é espoliado e forçado a sustentar um sistema educacional falido. Sim, nós temos uma educação muito aquém do que poderíamos desfrutar por sermos obrigados a sustentar um sistema educacional falido, lembre-se disso - Ernani Valter da Silva Neto.

Outro novo articulista com talento que nem ele supunha existir. Com vocês, Ernani Valter da Silva Neto com uma rica reflexão sobre a situação da Educação Brasileira.

V.D.

O Sistema Educacional Precisa Ser Livre

Por Ernani Valter da Silva Neto

De acordo com a QS World University Rankings, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) é a melhor instituição de ensino superior do mundo, seguida de Stanford e Harvard. As universidades no top 10 do ranking da QS estão localizadas principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido. Na nona colocação está a ETH Zurich – Swiss Federal Institute of Technology, na Suíça.

O que esse ranking deixa explícito? As melhores universidades do mundo se encontram majoritariamente nos países com as melhores colocações no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation.

Por outro lado, a Universidade de São Paulo (USP), que é a melhor universidade do Brasil, ocupa a tímida 143º colocação no ranking mundial das melhores universidades. Coincidentemente o Brasil também ocupa a 140º colocação no ranking da Heritage Foundation, o que mostra como estamos atrasados nos quesitos liberdade econômica e individual. Apesar de esses dados trazerem informações sobre o ensino superior, o objetivo deste artigo é expor os problemas da educação no ensino fundamental e médio, além de apontar alternativas liberais para tais falhas.

De acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, em 2016 o Brasil ficou na 63º colocação. Mas isso é culpa do Brasileiro? Somos um povo ignorante? Uma rápida pesquisa na internet mostra que temos mentes brilhantes em diferentes áreas da ciência. Qual o problema da educação brasileira então? Faltam investimentos públicos na educação?

Na verdade não, em 2015 o Brasil investiu cerca de 3,5% do PIB no ensino médio. Nas séries iniciais (1º a 4º série) o investimento foi ainda maior, cerca de 5,5%, assim como nas séries finais (de 5º a 8º série), que foi destinado aproximadamente 4,5% do PIB, percentual que chega a superar alguns países desenvolvidos. O problema não é a falta de investimento, e sim uma série de fatores ligados ao excesso de estado na nossa educação.

O ensino público é totalmente controlado pelo Ministério da Educação (MEC) e as instituições de ensino privadas sofrem forte regulação do mesmo, o que transforma o ensino em uma ferramenta de doutrinação ideológica. Não bastasse isso, a educação, assim como praticamente todos os setores que o governo administra é de péssima qualidade. Não é atoa que os jovens saem do colegial acreditando que o estado é um pai amoroso e que sem ele estaríamos numa situação miserável.

Julgar que o MEC deve definir o que é importante e o que é dispensável contribui muito para o nosso empobrecimento intelectual, pois ele ignora completamente as diferenças regionais do Brasil e esquece também que indivíduos possuem diferentes valores e aptidões. Dos primeiros anos escolares até o ensino médio, o jovem passa por um sistema padronizado, e o caminho que ele é obrigado a seguir é longo, tedioso e desestimulante. Chega a ser ridículo obrigar um jovem que claramente prefere artes visuais ou Ciências Biológicas, por exemplo, a aprender matemática avançada.

Que a educação pública tem uma péssima estrutura não é novidade, e a falta de liberdade nesse setor agrava o problema. Altos impostos somados a burocracia impedem que a mão invisível do mercado atue, reduzindo drasticamente a concorrência e as inovações na área. Quem sofre com estupidez estatal, obviamente, é o contribuinte, que é espoliado e forçado a sustentar um sistema educacional falido. Sim, nós temos uma educação muito aquém do que poderíamos desfrutar por sermos obrigados a sustentar um sistema educacional falido, lembre-se disso.

É importante frisar que educação, diferente do que a esquerda tenta nos enfiar goela abaixo, é mercadoria, escolas são empresas, e o mercado funciona tão bem (Ou por um acaso, quando você vai ao mercado ou em alguma loja, você não encontra os mais variados produtos para os mais diferentes gostos e bolsos?) porque seus jogadores visam o lucro. Empresas premiam a competência, os melhores funcionários são contemplados com os cargos mais altos e recebem os melhores salários, ou seja, existe um incentivo para que o serviço prestado seja de alta qualidade.

Nas escolas públicas, entretanto, não funciona dessa forma. Por mais que existam bons professores, que procuram fazer um bom trabalho, eles são minoria. Não devemos culpa-los, Adam Smith uma vez disse que seres humanos reagem a incentivos, e ele não poderia ter sido mais preciso. No ensino público, não importa o quanto um professor se esforce, ele não será recompensado com uma promoção, um salário mais alto ou qualquer tipo de bonificação e trabalhará em uma estrutura na maioria das vezes precária. Ainda que este professor migre para uma instituição privada e disponha de um pouco mais de liberdade e infraestrutura decente, continuará preso a metodologia do MEC.

Tanto políticos quanto a população entendem que a educação (ou a falta dela) é um dos mais sérios problemas sociais do país e suas consequências são igualmente preocupantes. A dificuldade está em combatê-lo. Em toda eleição, políticos, com um discurso populista na ponta da língua, prometem melhorias na educação, grandes investimentos, entre outras soluções estatais para o problema, que ao invés de ser solucionado, acaba piorando. As escolas públicas estão cada vez mais precárias, os bons professores cada vez mais desmotivados, ao passo que as universidades públicas formam cada vez mais doutrinadores ideológicos e menos educadores.

Quando uma escola particular torna-se ineficaz, ela é punida com a fuga de seus alunos (clientes) e precisa melhorar a qualidade do serviço prestado ou reduzir o seu preço. Em contrapartida, quando uma escola pública é ineficaz, seus gestores afirmam que a situação se deve a falta de verbas e imploram para que o estado repasse mais recursos. Basicamente, o dinheiro é retirado do bolso do pagador de impostos e colocado no bolso de gestores de escolas públicas que não seguem o sistema de preços e que provavelmente vão desperdiçar esses recursos, já que também não existem incentivos para que invistam de forma cautelosa.

Como resolver, de fato, esse problema? Como a educação – que nada mais é do que a troca conhecimento por dinheiro – funcionaria em uma economia de livre mercado? Muitos liberais defendem o sistema de vouchers para aqueles que realmente não possuem a menor condição de custear cursos superiores, visando à igualdade de oportunidades. Um sistema de vouchers não é uma ideia ruim, pelo contrário. Contudo, ele deve ser bem planejado, um estudo minucioso deve ser feito para que se saiba quanto de crédito disponibilizar e para quem fornecer esse benefício.

Vamos um pouco mais longe: O que aconteceria se não houvessem tantos impostos sobre o ensino privado e se não houvesse a burocracia absurda que existe hoje? Mais instituições de ensino surgiriam e concorreriam entre si, bem como empreendedores de fora investiriam maciçamente no Brasil, tornando a educação muito mais acessível às classes mais carentes. Com a tecnologia que possuímos hoje e sem os entraves impostos pelo MEC, instituições de ensino à distância também entrariam no jogo (temos pouquíssimas opções de ensino fundamental e médio à distância no Brasil), como acontece em países verdadeiramente livres.

Importante lembrar também, que sem a regulação feita pelo MEC, escolas voltadas para atender demandas regionais específicas (como escolas destinadas ao ensino da agronomia em regiões agrícolas, por exemplo) teriam um impacto social realmente positivo em suas regiões. O mercado decidiria quais instituições prosperariam e quais deixariam de existir, como ocorre em qualquer setor onde há liberdade, e ninguém se queixa quando empresas ineficientes quebram (exceto esquerdistas que acreditam que o estado deve roubar dos cidadãos que pagam impostos para salvar empresas incompetentes e manter seus empregos, ou seja, somente os parasitas).

Este mundo de PARASITAS seca a criatividade e o aprendizado, mas é possível resistir e mudar este quadro: cultive a Cultura da Liberdade AQUI.

O homeschooling, que nada mais é do que o conhecimento adquirido em casa, livre de qualquer instituição e que é proibido em muitos lugares do mundo, também deveria ser uma opção aqueles pais aptos a ensinar os seus filhos tudo o que eles precisam saber para viver em uma sociedade livre e competitiva.

Em suma, como disse Bernardo Santoro, diretor executivo do Instituto Liberal em seu brilhante artigo “A educação livre”, “A boa educação passa por se saber primeiro aonde a pessoa quer chegar, para então se decidir que caminho se deve tomar. Não o contrário, como acontece hoje”. Há de fato uma demanda por esse tipo de ensino, muitas pessoas concordam que tem algo errado na necessidade de ter um conhecimento considerável em Química, para graduar-se em ciências da computação, por exemplo. O que o livre mercado faz é justamente “preparar o terreno” para empreendedores que consigam atender essas demandas. Muito provavelmente os jovens continuariam aprendendo Matemática, Português, Inglês, entre outras disciplinas que são necessárias para o aprendizado de quaisquer ciências, mas certamente os métodos seriam diferentes, os consumidores definiriam quais seriam recompensados e quais seriam punidos, e a sociedade se beneficiaria com os recursos que deixariam de ser desperdiçados e com a riqueza intelectual que seria produzida a partir dessa geração.

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